Sperazzo, Poetando em Fragmentos

Lego a você os fragmentos dos meus sentimentos...

Textos


AMAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO

Nesta página O Grupo Ecos da Poesia dá acesso às comemorações da UNESCO e mais especificamente ao Dia Mundial da Poesia, instituído pelo UNESCO,
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com o tema, Amar o Próximo Como a Ti Mesmo, que reuniu 123 poetas e escritores.
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Sperazzo

AMAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO
Sandra Lúcia Ceccon Perazzo

Num entardecer, em frente a um belo e florido jardim, estávamos sentadas, eu e minha doce, querida e pequena amiga.
Ângela, tinha 12 anos, morava num abrigo, pois seus pais não podiam mais ter a guarda dos filhos.
E eu, uma simples e carinhosa voluntária.
Em um determinado momento, ela perguntou:
- Quem é o próximo mais próximo de mim?
- O próximo mais próximo de você, é você mesma, disse eu.
- E como faço para amar a mim mesma, como Jesus ensinou?
-Ah... não é lá muito fácil, mas é possível.
- Como?
- Aceitando tudo o que acontece na realidade,
aceitando o jeitinho que você é, mesmo que ainda não seja bem do jeitinho que gostaria que fosse.
Entendendo que somos humanos, que erramos, que ainda temos tendências, que não são lá muito boas, mas que também acertamos, que também temos boas tendências.
Por isto Jesus disse: "como a ti mesmo", deixando claro para nós, que é para nos amarmos exatamente como somos ou estamos.
Daí, quando a gente se aceita é que conseguiremos ir em busca de mudanças necessárias.
E só depois disto seremos capazes de estender este amor para o nosso próximo externo, pois deixaremos de julgar, não faremos mais transferências.
- O que é transferência?
- Transferência, é passar para o outro, sentimentos, responsabilidades que são nossas, mas que estão escondidas de nós mesmas, ou até sabemos que são nossas, mas não temos coragem de encarar. Então é mais fácil falar dos outros, julgá-los e até condená-los.
Ela perguntou:
- E quem são os meus próximos externos?
-São os seus pais, seus irmãos, todos os seus familiares, todos os seus amigos, etc... E devemos amá-los assim como nós nos amamos, do jetinho que eles são. Devemos aceitá-los da forma que forem, pois o amor não tem cara, não tem bandeira, não tem cor, não tem raça.
O amor é o maior de todos os nossos sentimentos e ele, o amor, basta por si só.
- Eu amo todos os meus irmãos, todos os meus amigos, não tenho nada contra ninguém.
Só não sei se amo os meus pais. E agora pensando sobre aquilo que você disse da transferência, estou achando que sou culpada.
- Culpada, de que? perguntei com uma certa apreensão, pois sabia o que estava passando em sua cabecinha, conhecia bem o racicínio de Ângela.
- Culpada dos meus pais não ficarem com a gente.
-Culpada? Não, não existe culpa. Existem erros que podem ser corrigidos e quando aprendemos com os erros , é bom demais para nós.
E você, nada tem de culpa ou de responsabilidade com o que houve com os seus pais.
- Mas se eles são os meus próximos externos, mais próximos de mim, depois de mim, como faço para amá-los, depois de tudo que eles fizeram para mim e para o meus irmãos?
- Ângela, menina que tanto amo, tem uma coisa que chama perdão, que claro já ouviu falar. Só que quando falamos ou ouvimos sobre o perdão, fazemos uma prquena confusão.
O perdão é uma virtude que requer reflexão.
Veja bem, todos nós somos filhos de Deus e Ele nos ama igualmente, independente do que fazemos, porque Ele sabe que um dia todos vão aprender a amar. E Jesus veio neste nosso mundo para mostrar que é possível amar a todos, independente de como o outro é ou faz.
Claro que para Jesus era muito fácil amar o próximo, amar o inimigo, poque Ele já havia passado por várias vidas para aprender tudo isto e exemplificar como ele exemplificou.
Nós somos realizáveis e Jesus era e é, totalmente realizado.
Então temos que aprender. Para isto devemos separar o sujeito da ação. Podemos aceitar o criminoso, mas não podemos aceitar o crime. Podemos aceitar o mentiroso, mas não devemos aceitar a mentira.
Precisamos perdoar, no sentido de compreender as pessoas.
- Mas eu não consigo esquecer o que aconteceu.
- Para perdoar não é preciso esquecer, menina. Deixa o esquecimento para a memória, ela resolve que tempo precisa para isto.
Para perdoar, basta não ter raiva, não ter ódio, não ter sentimento de vingança dentro do seu coração.
- Ah! isto eu não tenho não!
- Então, você é capaz de amar seus pais e isto é muito, muito bom.
Amar as pessoas, apesar das pessoas.
- Mas será que eles me amam?
- Isto eu não posso responder minha pequena menina, mas posso dizer que para você, no momento, o amor de seus pais não é o mais importante.
- Como assim?
- Temos um caminho para percorrer Ângela. E este caminho, muitas vezes, as pessoas fazem no sentido inverso. Querem amar a Deus, antes de amar a si mesma e amar ao próxino.
O sentido certo é ao contrário. Devemos aprender a nos amar, devemos aprender a amar ao próximo e só aí podemos amar a Deus.
Seus pais um dia amarão você com toda a intensidade, tenha certeza disto, mas antes eles precisam se amar, precisam amar um ao outro, entende?
- Entendo sim, só que gostaria que fosse agora, para que pudéssemos estar em casa reunidos, juntos, como uma família normal.
Queria muito ter o meu quarto, as minhas coisas, o meu cantinho.
Gostaria de brincar com os meus irmãos, sair com eles, tomar sorvete, comer bomba de chocolate e tantas outras coisas mais...
Queria que minha mãe nos desse carinho, que passasse as mãos nas nossas cabeças.
Desejaria que o meu pai nos protegesse, nos amparasse.
Mas compreendo que agora, no momento, ainda eles não podem, mas vou esperar que eles aprendam...

Apenas abracei com muita força minha pequena grande menina, segurando minhas lágrimas.
Apanhei uma rosa do jardim, sem nenhum remorso, beijei e entreguei para Ângela, que apertava minhas mãos, segurando todas as lágrimas que deveria derramar...
Mas estas, que ela deveria derramar,
são para uma outra tarde...

Sandra Lúcia Ceccon Perazzo
(Sperazzo)
18/03/2008
BRASIL

Art by Simone Cz
Sperazzo
Enviado por Sperazzo em 28/04/2008
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